A educação não precisa de castigos físicos. É isso que a polêmica “Lei da Palmada” estabelece. Além de fomentar o diálogo sobre violência doméstica, ela também procura firmar novas bases para a educação infantil.
Pais e educadores da “velha guarda” (ligados a antigas correntes de ensino) defendem o uso da palmada como instrumento pedagógico. Segundo eles, essa é a maior demonstração de desaprovação que os pais podem manifestar, e o melhor, qualquer criança é capaz de compreender. O que não se percebe, no entanto, é o dano que o tapa causa nas crianças. Elas compreendem a desaprovação de seus pais com suas atitudes, mas não entendem o que fizeram de errado. Isso acontece porque, nesses casos, o trauma da agrassão é tão forte que impede a assimilação de qualquer explicação subseqüente. Quando a repressão verbal não surte efeito nas crianças é sinal de que o vínculo de confiança e autoridade foi rompido. Castigos físicos são incapazes de reatar esses laços.
Há um tempo atrás, quando a “Lei Seca” estava em trâmite, fizeram as mesmas acusações que hoje atingem a “Lei da Palmada”. Criticam-na sob a ótica de uma redução das liberdades individuais e da autonomia do lar. Esquecem-se, os acusadores, entretanto, que o objetivo da lei é reprimir o abuso de autoridade, não se trata de acabar com a ordem e a hierarquia doméstica. Nenhum magistrado interpretaria a lei no caso de um reflexo preventivo, como quando um pai bate na mão de seu filho para evitar que ele ponha o dedo na tomada. A lei incidiria sobre casos em que a palmada é uma punição recorrente. Além disso, vale ressaltar os benefícios que a polêmica causa. Assim como no caso da proibição do consumo de bebidas alcoólicas por motoristas, o estímulo ao debate é um dos fundamentos da discussão e conscientização. Isso tudo é primordial para atingir o objetivo dessa medida, reduzir a violência doméstica em nosso país.
A “Lei da Palmada” é indispensável a fim de que as futuras gerações tenham bases coerentes para a educação infantil. Desta forma, pais e educadores procurarão dar atenção a seus filhos como forma de restabelecer o respeito mútuo, sem ter de recorrer a palmadas.