O que faz de nós diferentes? São nossas idéias, pensamentos e convicções? Talvez sim, talvez não, para mim os que nos diferencia são nossas ações. Espero que a minha, de divulgar essas idéias e pensamentos ajude você a tomar uma atitude, nem que seja, ao menos, refletir.
Alunos me pararam, na saída do meu colégio, distribuindo panfletos solicitando a minha participação e a de outros estudantes em uma manifestação contra o ENEM. Concordo veementemente com os demais alunos que afirmam que uma prova importante como essa não foi tratada com a seriedade necessária, demonstrando descaso, novamente, com os candidatos e com a educação em geral. Todavia, é no mínimo um grande equívoco posicionar-se contra todo o sistema do Exame Nacional do Ensino Médio.
Estudantes não se manifestam a favor de salários dignos aos professores estaduais, estudantes não se mobilizam contra a insegurança em salas de aula ou contra as diretrizes de matérias ministradas do MEC. Por que uma manifestação dia 12? Por que o ENEM? A verdade é que o ENEM tornou-se uma ameaça para os setores tradicionais da educação gaúcha, evidenciando nossa defasagem e baixa qualidade de ensino. Entretanto, apenas isso não justifica ceifar de milhares de jovens menos favorecidos a oportunidade de ingresso no ensino superior.
Todos têm o direito à manifestação, apenas creio que devem ter consciência sobre por que se manifestam e quais serão suas conseqüências. Se os estudantes buscam mudanças, a maior e melhor mudança para a educação no estado é o próprio ENEM.
"Quando existe avanço tecnológico sem avanço social, surge quase automaticamente, um aumento da miséria humana." (Michael Harrington)
Neste final de semana, quando conversava em frente à televisão, algo na tela chamou minha atenção. Olhei para o televisor e só pude, infelizmente, captar o final de uma reportagem do Fantástico. Claro, as imagens eram chocantes, como não poderiam deixar de ser, mas algo além delas chamou mais a minha atenção. Vivemos em um país aonde o rico divide a rua com o miserável, aonde poucos têm muito e muitos têm pouco. Há um algo, no entanto, que atinge a todos, direta ou indiretamente, sem distinção de classe, cor, religião, poder aquisitivo e sexo; as drogas.
Alcalóides sempre existiram e provavelmente existirão por muito mais tempo do que a humanidade,no entanto, seu uso indiscriminado jamais foi tão difundido. Os Ingleses, ainda no séc. XIX, viciaram a Ásia em ópio. No início dos anos 50, o LSD ainda era uma substância relativamente nova e não se sabia ao certo seus reais efeitos sob o organismo humano. Com isso em mente a CIA, Agência Central de Inteligência dos Estados Unidos, iniciou um projeto de pesquisa sob o codinomeProject MKULTRA. Os experimentos consistiam em administrar a droga a empregados da CIA, pessoal militar, doutores, outros funcionários do governo, prostitutas, pacientes com problemas psiquiátricos e membros da população, normalmente sem que soubessem que estavam participando dessa “pesquisa macabra”. Esse projeto foi revelado durante o relatório da US Congressional Rockefeller Commission Report em 1975. O mais curioso, no entanto, é que o LSD só foi proibido nos EUA em 28 de Outubro de 1968, dezoito anos após o início dos experimentos.A história humana e seu vínculo com essas substâncias seria engraçada, se não fosse trágica. O vício pode submeter uma população ao controle de um país estrangeiro, pode ser uma arma contra o comunismo, mas leva muitas vidas consigo.
O que leva a um jovem desistir de seu futuro e entrar num mundo como esse? O que move pessoas de diferentes situações sociais a convergirem para o mesmo fim destrutivo?
Aquela velha história que as mães costumam passar para os filhos e que as instituições de ensino adoram palestrar, de que a droga é, para muitos jovens, uma forma de entrar em um círculo de amizades já não é mais uma realidade. O uso indiscriminado e a busca pelo prazer, muitas vezes sabendo dos riscos e conseqüências, viraram realidade. Há crianças que passam até 16 horas em frente a uma tela de computador, jovens que morrem em excursões de formatura porque entraram em coma alcoólico, outros que acham bacana e divertido ir a “festas” sob influência medicamentos, isso sem falar nos muitos que morrem com a droga da carteira de habilitação no bolso.
Por trás de todos os exemplos já citados existe algo em comum, a permissividade dos pais e a falta de limites dos filhos. Se quiserem culpar alguém pela situação do mundo, do seu país, da sua cidade, culpem a si mesmos.
A educação não precisa de castigos físicos. É isso que a polêmica “Lei da Palmada” estabelece. Além de fomentar o diálogo sobre violência doméstica, ela também procura firmar novas bases para a educação infantil.
Pais e educadores da “velha guarda” (ligados a antigas correntes de ensino) defendem o uso da palmada como instrumento pedagógico. Segundo eles, essa é a maior demonstração de desaprovação que os pais podem manifestar, e o melhor, qualquer criança é capaz de compreender. O que não se percebe, no entanto, é o dano que o tapa causa nas crianças. Elas compreendem a desaprovação de seus pais com suas atitudes, mas não entendem o que fizeram de errado. Isso acontece porque, nesses casos, o trauma da agrassão é tão forte que impede a assimilação de qualquer explicação subseqüente. Quando a repressão verbal não surte efeito nas crianças é sinal de que o vínculo de confiança e autoridade foi rompido. Castigos físicos são incapazes de reatar esses laços.
Há um tempo atrás, quando a “Lei Seca” estava em trâmite, fizeram as mesmas acusações que hoje atingem a “Lei da Palmada”. Criticam-na sob a ótica de uma redução das liberdades individuais e da autonomia do lar. Esquecem-se, os acusadores, entretanto, que o objetivo da lei é reprimir o abuso de autoridade, não se trata de acabar com a ordem e a hierarquia doméstica. Nenhum magistrado interpretaria a lei no caso de um reflexo preventivo, como quando um pai bate na mão de seu filho para evitar que ele ponha o dedo na tomada. A lei incidiria sobre casos em que a palmada é uma punição recorrente. Além disso, vale ressaltar os benefícios que a polêmica causa. Assim como no caso da proibição do consumo de bebidas alcoólicas por motoristas, o estímulo ao debate é um dos fundamentos da discussão e conscientização. Isso tudo é primordial para atingir o objetivo dessa medida, reduzir a violência doméstica em nosso país.
A “Lei da Palmada” é indispensável a fim de que as futuras gerações tenham bases coerentes para a educação infantil. Desta forma, pais e educadores procurarão dar atenção a seus filhos como forma de restabelecer o respeito mútuo, sem ter de recorrer a palmadas.
Eu era bem mais velho que ela, no entanto, isso não era de grande importância para nós.Ela trabalhava na biblioteca pública e nos encontrávamos após seu expediente. Quando os poucos leitores que ainda freqüentavam aquele ambiente saiam do recinto, ela corria até a estante vinte e um. Lá eu esperava pacientemente.
Nas duas últimas semanas tinha sido sempre assim, ela se aproximava sem falar nada e, de repente, me segurava.Ela estava com quase trinta, me admirei muito com o seu interesse por mim. Não raro seus seios me tocavam e ela me fitava com interesse. Eu tentava lhe mostrar, com meus bons argumentos, que a felicidade residia na busca insaciável pelo prazer.Passávamos sempre uns quinze minutos juntos, nos sofás, nas cadeiras e uma vez até na mesa de trabalho dela! Só não nos aproximávamos da estante de número 13, ali ficavam as Bíblias. Quando isso acontecia, ela logo me largava. Infelizmente, era religiosa.
Foi assim durante toda semana, exceto na sexta. Ela saia às pressas para a Igreja com o marido. Não me importava, afinal, com a minha idade e já num estado de deterioração, o que eu queria mesmo era aproveitar. Na segunda-feira, passado o final de semana, ela não me procurou mais. Eu a vi com outro, mais novo. No final descobri que era apenas mais um, mais um livro na estante.
Quando era criança, sentia um medo terrível do escuro. Esse sentimento nada mais é do que uma reação natural de aversão ao desconhecido e ao que põe em risco nossa integridade física e psicológica. Infelizmente, a violência urbana tomou o lugar do escuro e passou a me aterrorizar.
Quem já andou pelas ruas se comportando como um esquizofrênico? Quantos já deixaram de usar alguma roupa ou acessório a fim de reduzir os riscos de assalto? A mania de perseguição que nos aflige decorre do medo de sermos assaltados, uma vez que a incidência desses delitos é alta e suas conseqüências podem ser demasiado graves. Além de prejudicar nosso bem-estar, as tentativas de furto alteram nosso comportamento, deixamos de freqüentar ambientes noturnos e usar aquilo que desejamos em detrimento da segurança. A incompetência dos órgãos públicos em reduzir a criminalidade apenas acentua a sensação de insegurança e desconfiança.
Já fui assaltado na Av. Borges de Medeiros. As pessoas ao meu redor perceberam o que estava acontecendo e me olhavam como se eu fosse o autor do crime e não a vítima. A aparente indiferença das outras pessoas com o meu infortúnio se deve ao seu medo de chamar a atenção do assaltante e sofrer o mesmo problema. Demorei para superar essa fobia de andar pelo centro da cidade, entretanto essa experiência foi muito importante para meu amadurecimento.
Superar nossos temores é a melhor forma de aprendizagem. Quando crianças, deixamos de acobardar-se com escuro pois percebemos que nada se altera com a ausência de luz; quando adultos, prestamos mais atenção ao andar pelas ruas.
Há um garoto cujos pais são pessoas muito próximas a mim. Talvez a descrição de gordinho e ocioso não seja a melhor que eu possa dar sobre ele, mas para essa postagem é mais do que suficiente.
O problema do guri é o mesmo da maioria dos rapazes da sua idade, ele está no nono ano do Ensino Fundamental (equivalente a nossa antiga sétima série) e não sabe escrever nem ler direito. Obviamente que as constantes notas baixas em diferentes matérias dificultavam a constatação do problema. Os pais, com seu sentimento de dever, cumpriram o código de castigos estipulados socialmente. Atribuíram ao computador e ao vídeo-game a culpa, abolindo-os da residência.
O resultado do castigo durou apenas até o próximo boletim escolar (esqueci de dizer que o guri também escondia as provas dos pais). Sugeri a eles que solicitassem uma redação ao rapaz. O resultado não poderia ser mais catastrófico! Eles gritavam histéricos: “Nosso filho não sabe ler!!”
Fui voluntário para resolver o problema, mas seria do meu jeito. A partir de agora ele deveria ler no mínimo vinte páginas de um livro e escrever um resumo de vinde e cinto linhas sobre o que leu, todo dia. Além disso, deveria completar um glossário com as palavras que não conhecesse a fim de ampliar seu vocabulário. Os resultados da primeira semana foram esses:
Êxito = Prazer. (ele confundiu com êxtase)
Altivez = Ato de um pessoa altista.
Incitar = Ocultar, não citar. (faz sentido se considerarmos o prefixo "in" como negação)
Pseudônimo = Alguém que escreve obras de outra pessoa.
Absorto = Algo absurdo.
Séquito = Lugar de péssima aparência.
Felizmente, esses foram apenas os primeiros resultados. Obriguei-o a consultar o dicionário ao invés de imaginar os possíveis significados. Agora, um mês e meio após o início do castigo alternativo, comunico com todas as letras: ELE ESCREVE, E ESCREVE BEM!
Já há algum tempo planejava falar de um tema tão controverso quanto futebol e política. Tudo bem, admito, política não é algo tão controverso quando se fala sobre a ética dos representantes. Meu objetivo é falar sobre religião, a minha religião. Acalmem-se, não vou tentar pregar nem convencer ninguém. Apenas esclarecer.
"Sim, sou ateu graças à deus!" (Adoro essa piada!).
Não acredito em nenhum tipo de divindade ou ser superior, nem na teoria do Desing Inteligente (criacionismo no sentido lato). Na realidade, não me encaixo muito bem na corrente ateística contemporânea, o Neoateísmo, embora seja essa a qual me inspiro, porque sou flexível o bastante para estudar outras formas de crenças e tentar estabelecer um vínculo de dependência entre o homem e um ser superior fictício.
A teoria mais comum, compartilhada e baseada em autores contemporâneos e do final do século 19, é a de que, em algum momento da história humana, surgiu a necessidade da crença em um deus como forma de manter a ordem social vigente. Por outro lado, eu cheguei a outra conclusão que me levou a crer que as divindades são uma forma de nos afastarmos do nosso medo mais fecundo, a morte. Todas, absolutamente todas as religiões do mundo acreditam em uma pós-morte, seja ela o céu, a reencarnação, ou o purgatório. O ser humano acredita em deus simplesmente porque teme a morte.
Como explicar para um pai de família que ele trabalhará por mais da metade de sua vida, desfrutará de uma aposentadoria medíocre quando estiver velho e morrerá? Caso não haja uma forma de recompensa àqueles que cumprirem com o socialmente correto, não teríamos paz.
Somente um grande e belo “BAH”, que nos enche a boca quando pronunciado, é capaz de expressar o que sinto ao escrever novamente neste espaço. É formidável poder compartilhar com amigos e desconhecidos algumas idéias e um pouco do meu dia-a-dia. Estava sentindo muita falta disso tudo.
Talvez seja de bom tom que explique a minha ausência demasiado longa. Pois bem, como muitos sabem (ou nem tantos), estou na fase final do meu Ensino Médio. Entre tomar um rumo na vida ou voltar para debaixo da asa da mãe. Até agora, só obtive êxitos nas empreitadas, sei que muito disso foi devido ao esforço e a incapacidade das outras pessoas de tomar o meu lugar. Sim, existe competição até no Ensino Médio.
Ainda paira sobre mim a grande dúvida da existência humana, o clássico: E agora, o que fazer? Fui aprovado para o curso de Eng. Química na UFRGS, mas não tenho certeza se esse é realmente meu objetivo. Enquanto não encontro as devidas respostas, continuo escrevendo!
Tema: Por que tanto incivilidades quanto infrações impedem a construção da uma sociedade sadia?
A Liberdade de cada um
Tanto o “jeitinho brasileiro” como os truques típicos dos adolescentes não contribuem para o convívio social harmonioso. Furar filas, deixar objetos guardando lugar e fazer cópias de livros e músicas sem consentimento dos respectivos autores são apenas algumas das atitudes que prejudicam a formação de uma sociedade sadia.
Quem costuma freqüentar bancos, cinemas e teatros está acostumado a enfrentar filas. O pior é quando, além de passar um bom tempo em pé, alguém, indevidamente, toma um lugar a sua frente. Invariavelmente nos sentimos aborrecidos quando somos vítimas de tais artimanhas. Isso acontece em todas as situações as quais algum indivíduo ultrapassa o limite da sua liberdade e invade o direito dês que o cercam.
Lojas de discos estão desaparecendo. Querendo ou não, isso é um reflexo da larga difusão de conteúdo fonográfico de forma ilegal na internet. Além de prejudicar o comércio, cópias ilegais de material cultural, independentemente do seu uso, não dão a devida remuneração aos produtores e artistas.
Somos vítimas de muitas incivilidades e infrações, além disso, não podemos negar que cometemos muitas delas. Será que estamos inclinados a desrespeitar os outros? Somente valorizando as conquistas, o direito e o trabalho alheio, seremos capazes de responder a essa pergunta e a construir uma sociedade igualitária.
Eu só sei que não sei. Alguns chamam isso de alterações hormonais, conflitos típicos do processo de amadurecimento, adolescência ou juventude. Eu chamo de vida.
O problema de se definir começa no estabelecimento de certos critérios essenciais que nos caracterizam e, nesse processo, alguns deles são invariavelmente preteridos. No meu caso, as características que me definem são variáveis, meu bom humor nem sempre é bom, minha inteligência nem sempre é inteligente, minha educação as vezes é inútil num mundo de mal educados.
Mas talvez eu seja isso, uma metamorfose ambulante, a qual agrega novos valores ao longo da jornada e passa a visualizar as coisas com novos olhos. Não sou o mesmo de 5 minutos atrás, nem o serei daqui a 5 minutos. Meu objetivo é ser sempre melhor do que eu era há 5 minutos atrás.
No reveillon passado presenciei uma coisa muito interessante. Tá bom, alguns não a veriam com a mesma profundidade que eu mas admito, achei engraçado. Fui a uma cidadezinha no interior gaúcho, onde mora minha vó, passar o ano novo junto dos meus parentes. Algumas horas antes da virada, minha prima chegou com seu namorado e ele trajava uma bela camisa preta. Minha vó, uma senhora de 70 e poucos anos, muito religiosa, ficou perplexa ao vê-lo com aquela camisa. -Mas vó, é só uma camisa- argumentei. Ela teimava que ele devia reirá-la, afinal, era um mau presságio para o ano novo.
Achei aquilo tudo hilário! Minha família, toda fundada em preceitos cristãos, estérica ante uma superstição. Eu acredito já ter escrito aqui que sou ateu, mas não é só por causa disso que acho essas crendiçes populares muito engraçadas. Garanto que você já deve ter visto alguém dar três pulinhos para São Longuinho, ou então comer uvas no ano novo e usar roupas brancas. O mais interessante disso tudo é que muitas dessas "tradições" se originam de religiões ou culturas que nem seguer imaginamos. A roupa branca no ano novo, por exemplo, é uma tradição do Candomblé para Iemanjá.
Claro que se minha avó soubesse disso ficaria pasma, mas eu não lhe disse nada. Talvez para evitar malentendidos, mas principalmente para não quebrar as crenças e esperanças dela. Por mais infundadas que algumas crenças sejam, quando elas trazem paz e harminia para alguém eu as considero verdadeiras, mesmo não acreditando nelas. Bom, é isso, um feliz 2010 há todos!
O natal já passou e eu não postei nada por falta de tempo. Embora eu não cultue os preceitos católicos, sou padrinho de batismo do meu primo. Nesse natal ele veio passar uns dias aqui em casa. Talvez agora vocês entendam a falta de tempo para escrever, já que o guri não me deixava parado por um minuto. Enquanto nós jogávamos basquete , fazíamos guerrinha de água e apostávamos no poker ( eu o ensinei a jogar), meu irmão passava a tarde testando os “games” que ganhara com a rápida passada do bom velhinho.
Gustavo (vamos chamá-lo assim), meu afilhado, embora nascido em 2001, não é um exemplo da geração Z. Entretanto, meu irmão é. Ele é um daqueles meninos que se sente mais à vontade em frente a um computador do que em uma roda de amigos. Não o culpo, afinal, ele convive com as máquinas desde os 6 anos e é de se esperar que possua mais vínculos com isso do que com outras pessoas. Mas não nego que isso chamou muito a minha atenção. Que tipo de pessoas esses jovens serão no futuro?
É muito mais fácil realizar os sonhos on-line, no Second Life, por exemplo, do que na vida real. Ali, basta jogar algumas horas e é possível comprar uma roupa ou uns óculos da moda. É fácil adicionar um monte de “amigos” no Orkut, mas é tremendamente difícil estabelecer vínculos afetivos com todos eles. Meu irmão já teve seu perfil no Orkut hackeado (invadido e depredado) por um colega de aula, eles têm apenas 12 anos. Isso só demonstra que a impessoalidade da internet favorece o cometimento de delitos os quais, na vida off-line, nossa ética nos impediria de cometer, porque tudo é mais fácil ali, não há pais fiscalizando nem há como ver o sofrimento da vítima. Talvez a coisa mais interessante sobre a internet é que todos sabem utilizá-la, mas muito poucos sabem como ela funciona.
Vale ressaltar que há pontos muito positivos na internet. Nunca o conhecimento foi tão difundido e popularizado. A dinâmica escolar, do professor-lousa-aluno, foi quebrada e com um clique o aluno passa a ser também o detentor do conhecimento. O mundo ficou menor e muito mais dinâmico, no qual manifestações contra um regime opressor no Irã são facilmente difundidas na rede. Eu posso escrever no meu quarto e você pode ler isso em qualquer canto do mundo.
Já pensou poder curar a surdez? Ou então poder fazer as pessoas recuperarem a memória? Parece conversa de messias, mas não é. São as células-tronco.
Quando as células embrionárias começam a se especializar, algumas delas perdem a capacidade de reprodução. Às células da epiderme, por exemplo, não são capazes de se multiplicar, entretanto são renovadas com freqüência. Isso ocorre pelo simples fato de que há células-tronco sob a derme que as renovam. Entretanto, essas células-tronco presentes nos organismos adultos (pós-embrinário) são capazes de gerar apenas as células do tecido onde estão. A leucemia, que é causada por uma anomalia nas células-tronco da medula, produtoras de hemácias e leucócitos, é tratada com a aplicação de outras células-tronco de um doador ou do próprio paciente (do sangue presente no cordão umbilical previamente armazenado).
Ainda que o potencial de terapêutico dessas células-tronco adultas elas não são capazes de curar, por exemplo, problemas degenerativos no sistema nervoso . Os neurônios não se multiplicam e os danos ao cérebro são cumulativos. Felizmente, pesquisas com células tronco embrionárias, as que se originam de um embrião em desenvolvimento, apontam um futuro promissor para a cura dessas doenças. O sueco Milos Pekny já conseguiu ativar a produção de neurônios com o uso dessas células. No Brasil, já foram desenvolvidas pesquisas promissoras para a regeneração do pâncreas e possível cura da Diabetes tipo 1. Além disso, cientistas conseguiram tranformá-las em células ciliadas sensoriais, as do ouvido, que se degradam com a idade ou com a exposição a ruídos intensos.
No Brasil é permitido o uso de células tronco à partir de embriões para fins de tratamento e pesquisa desde que eles estejam congelados há mais de três anos ou sejam inviáveis, sendo necessária a autorização dos genitores. Alguns alegam que é um ato contra à vida realizar pesquisas com embriões, outros argumentam que o início da vida só têm início com a diferenciação celular, ou seja, após a transformação das células-tronco embrionárias. Seja como for, é impossível negar a incrível capacidade dessas células de trazer esperanças àqueles que já as perderam.
Provavelmente devido à frequencia dos escândalos políticos no país, me assusta o tom de banalidade e resignação com o qual as pessoas tratam desses temas, como se tudo fosse natural. Daqui a pouco a Corrupção tomará o lugar do Tempo nas conversas banais:
- E essa corrupção cumpadre?! - Pois é, acho que vem uma frente mensalônica lá de Goiás!
Há pessoas que crêem em um ciclo infinito delas, outras que crêem em pós-vidas, eu creio em uma só. Caso não tenha escrito ainda, sou ateu, graças à deus. Respeito muito a religião alheia, até porque o ateísmo também é uma forma de religião, afinal é preciso ter muita fé para superar a necessidade de um deus nos acuda.
Não pretendo me ater na temática religiosa, até porque pretendo explorar essa temática com mais calma em futuras postagens. Meu objetivo é falar sobre minha concepção de vida. Meu problema com a vida começou a pouco tempo, quando percebi que, querendo ou não, um dia ela iria acabar. Tudo bem, parece fatídico pensar assim, mas não sou pessimista, pelo contrário. Acho muito fácil acreditar em reencarnações, pós-vidas, regressões, céu e até mesmo inferno. A verdade é que ninguém, em sã consciência, quer morrer. Só para frisar, eu também não quero.
Pela lógica, passamos mais de 30% das nossas vidas dormindo (desconsiderando os dorminhocos), mais de 15 anos estudando (nível de bacharel), mais de três messes dela só procurando controle remoto da televisão, fora os anos que passamos em frente à telinha. A pergunta de um milhão é: Se a vida é uma só, se não há outra chance, o que devemos fazer com ela? Creio que deixar de dormir não é uma boa resposta.
Esse grande conflito existencial tem me afligido, peço que tentem responder essa pergunta postando seus comentários nesse post.
Na casa do meu avô havia uma escrivaninha. Não era uma dessas com as quais estamos habituados, fininha com um computador. Ela era grande, maciça, toda quadrada, feita de uma madeira escura e pouco marchetada. Sua presença na sala era imponente.
No tampão da mesa tinha uma gaveta enorme, muito larga. Ao lado da gaveta, guarnecendo a lateral, havia uma porta de fechadura com uns 70 cm de altura que servia para guardar documentos. A frente da escrivaninha era uma moldura de madeira com tábuas transversais que serviam de estantes. Ali ficavam os livros de contabilidade do meu vô.
Quando criança, olhava a mesa e imaginava o vovô atendendo clientes, fechando pedidos, calculando, e, é claro, bebendo uísque sobre a mesa (ela tinha uma marca de copo bem saliente). Em seus 35 anos de serviço fiel, aquela humilde mesa era a companheira inseparável do meu vô.
Um dia, explorando os livros antigos do vovô, começo a mexer na mesa. Tento abrir as gavetas e, para minha surpresa, elas abrem. Dentro encontro réguas, um calendário perpétuo que só ia até 1995 ( não era tão perpétuo) e muitas folhas com cálculos e nomes esquisitos. O que chamou minha atenção foi uma portinha na lateral da mesa. Era algo incomum, com 20 cm de largura por uns 12 de altura.
Eu tentei abri-la, mas era fechada à chave. Forcei a porta como pude e, o material que já era bem velho, cedeu. O “esconderijo” era muito profundo, enfiei todo o braço e tateei algo como folhas, só que mais espessas. Não me contive, curioso, raptei um cabo de vassoura da cozinha e puxei o conteúdo do buraco.
Eram duas gravuras que fiz quando criança. As gravuras eu achei, infelizmente o vovô já tinha partido.
Quando eu era criança, aliás, quando eu era mais criança do que sou hoje (essa ficou ótima), havia um pirulito muito popular. Esse pirulito vinha com uma pequena hélice plástica que era fixada na haste do pirulito e, após a guloseima ser completamente removida do “pauzinho”, a brincadeira começava. O que se fazia era girar o cabo com as mãos, imprimindo velocidade à hélice e fazendo o conjunto voar. Meus recreios, por um bom tempo, se resumiam a competição de “helipirulitos”. É claro que, com o passar do tempo, essa brincadeira infantil perdeu sua graça. Entretanto, sempre tive a curiosidade de saber por que os helicópteros voavam.
A primeira imagem de um helicóptero voando sempre esteve relacionada, para mim, a Guerra do Vietnam. Surpreendentemente, há alguns dias, recebi um e-mail falando sobre o primeiro helicóptero totalmente controlável, o Focke-Wulf Fw 61. Essa aeronave foi construída na Segunda Guerra pelos alemães. Daí eu entendi o porquê de associar o helicóptero à Guerra do Vietnam. O primeiro uso em combate dessas aeronaves ocorreu nesse período triste da história. Felizmente a engenhoca também foi usada para salvar muitas vidas nos campos de batalha.
Por piores que sejam as motivações para criar os mais brilhantes inventos da humanidade, sempre há uma forma de torná-los úteis. Atualmente os helicópteros são utilizados para o controle de incêndios, patrulha ambiental, marítima e controle do tráfico. Mesmo assim, ainda hoje, algumas pessoas pensam que a guerra do Vietnam não acabou e continuam derrubando helicópteros e acabando com vidas.
Álcool nunca foi um dos meus desejos. Não sou moralista, não prego o que está escrito nas escrituras, tanto na “divina” quanto na legislativa. Apenas não gosto de álcool. Essa é uma posição difícil de sustentar quando se está na idade de “curtir” a vida.
Obviamente que por ter esse pensamento e me manter sóbrio, a responsabilidade de garantir um retorno tranqüilo aos meus amigos quando retornamos das festas sempre caí sobre meus ombros. Como andar de carro em Porto Alegre, à noite, é bem perigoso, bem mesmo, eu sempre procuro voltar pra casa de táxi.
Presumo que todos que lêem esse texto já tenham, pelo menos uma vez, entrado em um carrinho com a placa de táxi no teto. Sempre gostei de andar de táxi, não tanto pelo conforto, que, convenhamos, não é lá grande coisa.
Um dia, voltando de um baile de debutantes com três amigos embriagados, coube a mim pô-los no táxi e guia-los para casa. Se procurar um amigo, sóbrio, em uma festa já é difícil, achar três bêbados é ainda pior. Felizmente eu consegui encontrar dois deles rapidamente e já os pus dentro do veículo e regressei ao salão para achar o terceiro.
Com a tarefa concluída, fui o último a embarcar no táxi. Ao entrar a “gurizada” me disse que já havia dado o “endereço” ao taxista.
O carro começou a andar e eu, que estava exausto, nem prestei muita atenção as ruas ao meu redor. De repente, olho para o lado e percebo que estávamos indo em direção oposta e pergunto ao taxista: O senhor não devia ter dobrado na Sertório?
Ele se vira e perplexo me responde: Mas os rapazes me mandaram pro centro!
Eu, que já não entendia nada, só pedi o endereço, o motorista me disse: Eles disseram pra “tocar” pro Gruta, é um puteiro um tanto caro!
Moral da história: é possível confiar nos taxistas, mas sempre desconfie dos bêbados!
Já faz um bom tempo que não escrevo para esse blog. Talvez minha ausência se justifique devido às provas bimestrais, a correria cotidiana, as desilusões. Principalmente a essas últimas, passei por um longo período de reflexão e leituras, digamos, pesadas. Assumo que estava demasiado descontente com a realidade e, como todo ser humano, busquei a fuga através da reclusão em meu “mundinho”.
Fugir, às vezes, é uma boa opção. Sabe, quando não estamos no campo, avaliamos melhor o jogo e os jogadores, e, é claro, o juiz. Voltei e estou contente por isso. Espero que a leitura desse simples blog os ajude a criar os seus “mundinhos”.